"A escola é a instituição que faz a transição entre a família e o mundo".
Hannah Arendt
Prefeitura descumpre determinação judicial
Nem com ordem judicial os pais de 39 crianças residentes no Complexo
Aeroporto conseguiram ontem matricular seus filhos em creches da Prefeitura
Municipal.
Organizados pelas associações de moradores do Jardim Aeroporto e da Vila
Hípica, os pais seguiram ontem em ônibus fretado até a sede da Secretaria
Municipal da Educação, no morro de São Bento. Acompanhando o grupo, Ana
Paula Vargas de Mello, representante da Comissão de Direitos Humanos da
Ordem dos Advogados do Brasil.
Munida de uma cópia da liminar obtida pelo Ministério Público, que determina
“a imediata matrícula dos infantes em creches da rede pública”, a advogada
tentou ser recebida pelo secretário José Norberto Callegari Lopes, sem
sucesso. Quem a recebeu foi a assistente do secretário, Adair Cáceres
Pessini.
A liminar (antecipação de tutela) obtida pelo MP garante a matrícula de 70
crianças em creches e de outras 25 em Emeis (escolas de educação infantil).
“Para as 25 que precisam de vagas em Emeis, a secretaria deu uma solução,
indicando as escolas em que elas podem se matricular. Mas para as 70
crianças que têm direito à vaga em creches, disseram simplesmente que não
têm vagas”, relata Ana Paula.
Adair Pessini confirma o não atendimento à ordem judicial de matrículas.
“Expliquei as dificuldades da secretaria e a inexistência de vagas, estamos
com a lotação máxima”, afirmou.
Ana Paula Mello fez então uma relação das crianças presentes - 39. “Estou
levando essa lista para a Promotoria da Infância e Juventude, autora da
ação. Vamos ver qual a providência que será tomada agora”, disse.
Adriano Gosuen, assistente da Promotoria da Infância e Juventude, informou
que o não atendimento à determinação judicial será relatada ao juiz que
concedeu a liminar, Paulo César Gentile. Segundo Gosuen, além de estar
descumprindo uma ordem judicial, a Prefeitura está sujeita, desde ontem, a
uma multa de R$ 1.000 por dia, por criança não matriculada. “São R$ 39 mil
de multa a cada dia, sem contar com a possibilidade de processo por
prevaricação”, afirma o assistente da Promotoria da Infância e Juventude.
Fonte: Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 23 de Março de 2007
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